B. V. Zeigarnik — A Pesquisa Psicológica sobre a Patologia da Atividade (1971)

Publicado em Personality and the Pathology of Activity. Soviet Psychology, v. 11, nº 2, 1973, pp. 4–10. Tradução por Carla de Miranda.

Em seu livro Ser e consciência, S. L. Rubinstein explicou que “uma influência externa tem um efeito mental particular apenas ao ser refratada pelo estado mental do sujeito, através de um sistema de pensamentos e sentimentos formados em seu interior” (p. 226). Aplicar isso na pesquisa particular em patologia requer que passemos dos estudos de desordens de funções específicas para estudos de mudanças nas várias formas da atividade do paciente, em cuja estrutura são incluídas mudanças de atitudes pessoais e motivos.

A psicologia materialista soviética chega a conclusões semelhantes sobre a gênese dos processos mentais. Esses processos não podem simplesmente ser formados sem a participação de componentes motivacionais. Apontando que processos mentais são formados no cotidiano, A. N. Leontiev enfatizou que eles são formados pelo processo de domínio do “mundo de objetos e fenômenos criados pelos seres humanos”. As propriedades biológicas herdadas, afirmou Leontiev, compõem apenas uma (embora não menos importante) das condições da formação dos processos mentais. A condição básica para a sua formação, no entanto, é o domínio dos objetos e fenômenos criados pelo ser humano. Esse domínio é um processo ativo. Para revelar o mundo dos objetos a uma criança, esta deve vivenciá-los ativamente. O domínio acontece pela interação com outras pessoas. A criança entra nesse mundo pela mediação das pessoas em seu redor, que lhe servem de guias.